Forum

Comunidade

Parceiros

Saber Caar

Clube Caadores Alvorada

Caa

Facebook

Saca-Rabos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Domingo, 01 Fevereiro 2009 20:09

Provavelmente introduzido na Pennsula Ibrica pelos rabes, o Sacarrabos um carnvoro diurno de mdio porte, comum na metade sul do Pas. conhecido pela sua capacidade de capturar cobras e pela sua forma peculiar de deslocao em grupo.

 

IDENTIFICAO E CARACTERSTICAS

O Sacarrabos Herpestes ichneumon um carnvoro de mdio porte castanho-acinzentado que, juntamente com a Geneta, representam a famlia Viverridae no nosso pas. Tambm conhecido por mangusto, manguo ou escalavardo, tem um corpo alongado e de aspecto fusiforme, o focinho pontiagudo, as patas so curtas e a cauda vai-se afunilando at sua extremidade onde se encontra um pincel de pelos mais escuros. Tem uma altura no garrote de aproximadamente 20 cm, pesa 2-3 Kg, e tem um comprimento total de cerca de 90 cm, podendo a cauda chegar aos 50 cm. Na cabea distinguem-se umas orelhas pequenas e arredondadas e uns olhos cr de mbar que tm a particularidade de exibir uma pupila horizontal, caso quase nico entre mamferos e que revela hbitos diurnos. No existe um dimorfismo sexual evidente entre machos e fmeas embora os primeiros sejam um pouco maiores.

 

DISTRIBUIO E ABUNDNCIA

Esta espcie, que se pensa que tenha sido introduzida na Pennsula Ibrica pelos rabes, tem origem etipica e est presente na maior parte do continente africano e na sia Menor. Foi tambm recentemente introduzida numa ilha jugoslava. Na Pennsula Ibrica est distribuida principalmente a SW. No nosso pas relativamente abundante no sul e o a norte j chega pelo menos Serra da Estrela. Depois de um perodo em que deve ter sofrido uma regresso na primeira metade do sculo XX (a 'campanha do trigo' que devastou muito matagal mediterrnico), a espcie parece estar agora em alguma expanso provavelmente devido a 3 factores: o abandono de terras agrcolas e o ressurgimento de alguns matagais; a quase ausncia dos seus predadores como o Lince-ibrico; por ter actividade principalmente diurna no compete directamente com outros predadores pelos mesmos recursos.

 

ESTATUTO DE CONSERVAO

No ameaada. uma espcie cinegtica de caa menor (Lei da Caa: D-L n 251/92 de 12 de Novembro) que pode ser caada a salto (entre Out-Dez) ou de batida (entre Jan-Fev). Pode ainda ser abatido no controlo de predadores (artigos 94-97 da Lei da Caa, cap. XI).


HABITAT

um tpico habitante dos matagais mediterrnicos, com subcoberto bastante denso (o seu focinho pontiagudo facilita-lhe a deslocao neste tipo de habitat) e, em geral, nas proximidades de linhas de gua. Geralmente como toca utiliza luras abandonadas de coelhos que alarga com as fortes garras que possui nos cinco dedos.

 

 

 

 

ALIMENTAO

O sacarrabos tem reflexos bastante rpidos o que lhe permite capturar ofdeos (cobras), inclusiv as espcies venenosas. No entanto, as suas principais presas so os pequenos mamferos, nomeadamente os roedores e, sempre que disponveis, tambm os lagomorfos (coelhos e lebres). Por ter hbitos diurnos, os rpteis so tambm uma parte importante do seu espectro alimentar que inclui ainda insectos, anfibios, aves e matria vegetal com valor energtico.


REPRODUO

A poca de acasalamento ocorre na Primavera seguindo-se um perodo de gestao de 84 dias, nascendo 2-4 crias entre Junho e Agosto. Os machos so poligmicos podendo fecundar vrias fmeas. As crias ficam com a me at ao nascimento da ninhada seguinte, chegando a formar grupos de 7-9 indivduos.

 

 

 

 

MOVIMENTOS

As reas vitais do sacarrabos variam entre 0,5 e 5 Km2. A defesa efectiva dos territrios restringe-se ao espao em redor dos seus abrigos.


CURIOSIDADES

As crias seguem a me em fila-indiana, cada uma com o focinho por baixo da cauda da que a precede, da o nome sacarrabos (esta maneira peculiar de se deslocarem at levou ao equvoco de lhes chamarem cobra peluda). Tambm quando caam em grupo, os sacarrabos apresentam a particularidade de rodearem a presa deixando-lhe poucas hipteses de escapar.


LOCAIS FAVORVEIS DE OBSERVAO

O facto de ter hbitos diurnos e de ser relativamente abundante no sul do pas torna a sua observao mais fcil que a dos outros carnvoros j apresentados (lince, raposa, geneta). Um passeio ao longo de uma linha de gua ser sempre uma boa ideia seguindo as indicaes das fichas anteriores.


LEITURAS RECOMENDADAS

Borralho, R., Rego, F., Palomares, F. & Hora, A. (1996). The distribution of the Egyptian mongoose Herpestes ichneumon (L.) in Portugal. Mamm. Rev., 6:1-8.

Clamote, F. (1997). Estudo preliminar sobre a caracterizao morfolgica e a dieta do sacarrabos (Herpestes ichneumon, L.) em Portugal. Relatrio de estgio para obteno de licenciatura em Biologia Aplicada aos Recursos Animais, Faculdade de Cincias da Universidade de Lisboa. 54pp.

Delibes, M. (1982). Notas sobre la distribucion pasada y actual del meloncillo Herpestes ichneumon (L.) en la Pennsula Ibrica. Doana Acta Vertebrata, 9: 341-352.

Domingos, S. A. (1999). O Sacarrabos na regio do Paul do Boquilobo: um estudo de rdio-rastreio. Relatrio de estgio para obteno de licenciatura em Biologia Aplicada aos Recursos Animais, Faculdade de Cincias da Universidade de Lisboa. 72pp.

Palomares, F. (1990). Ecologia y organization social del melloncillo, Herpestes ichneumon, L., en el Parque Nacional de Doana. Tese Doutoramento, Facultad de Ciencias Universidad de Granada, Granada. 219 pp.

Palomares, F. & Delibes, M. (1991). Dieta del meloncillo, Herpestes ichneumon, en el Coto del Rei (Norte del Parque Nacional de Doana, S.O. de Espaa). Doana Acta Vertebrata, 18: 187-194.

Palomares, F. & Delibes, M. (1992). Circadian activity patterns of free-ranging large gray mongooses, Herpestes ichneumon, in southwestern Spain. Journal of Mammalogy, 73: 173-177.

Palomares, F. & Delibes, M. (1993). Social organization in the Egyptian mongoose: group size, spatial behaviour and inter-individual contacts in adults. Animal Behaviour, 45: 917-925.

 

 

Miguel Monteiro
Actualizado em Domingo, 15 Março 2009 02:06
 

Juvenex

Galeria alvorada-pt.com